Onde estão os Amarildos?

Postado por Rio de Paz, 12 de Agosto 2013

NOTA DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ALERJ

Quais as relações entre desaparecimento forçado e violência urbana? Em que medida o desaparecimento forçado expressa uma face da violência urbana? Em que extensão corresponde a práticas de extermínio?

Os poucos dados do ISP sobre os desaparecimentos no Estado do Rio de Janeiro são alarmantes. Entre 2003 e 2012 os números indicam mais de 50.000 casos, com crescimento significativo ano após ano e as poucas informações sobre desaparecimento forçado indicam inclusive uma espécie de divisão do trabalho entre policiais, milicianos e traficantes de drogas no ato de desaparecer com corpos.
Nesse sentido a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ realizará na próxima terça-feira (13/08) audiência sobre os casos dos DESAPARECIDOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

A audiência contará com a participação dos familiares da Amarildo Dias de Souza, da engenheira Patrícia Amieiro, a ONG Rio de Paz, o pesquisador Fábio Araujo, o Delegado Rivaldo Barbosa (Delegacia de Homicídios) e representante do Ministério Público.

NOTA DO RIO DE PAZ

O Rio de Paz, durante a audiência pública, manterá nas escadarias da Alerj uma réplica do chamado "forno microondas", uma pilha de pneus com um manequim dentro -simbolizando as vítimas de desaparecimento que tiveram o corpo incinerado-, prática comum no Rio de Janeiro. Um manequim coberto por véu e com máscara neutra será também levado para a sala na qual será realizada a audiência pública, como lembrança às autoridades públicas presentes da grave e inaceitável prática criminosa tão disseminada na região metropolitana do Rio de Janeiro.

"A audiência pública sobre os desaparecidos é resultado de um pedido do Rio de Paz feito pessoalmente ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado Marcelo Freixo. Em agosto de 2010 encaminhamos um ofício ao Instituto de Segurança Pública (cópia do ofício ) solicitando uma pesquisa sobre casos de desaparecimento e tentativas de homicídio. Não obtivemos até hoje resposta alguma.

Essa audiência pública é expressão do nosso esforço por ver essa prática combatida e esclarecida. Há inúmeras áreas da região metropolitana do Rio de Janeiro que servem de local de desova. Mais de 35 mil pessoas desapareceram no Estado entre 2007 e 2013. Há também aqueles que não tiveram o registro do seu desaparecimento feito em delegacia. Há muitos Amarildos no Rio de Janeiro. Torturar, executar e ocultar cadáver é prática odiosa, seja quem for a vítima".

Antônio C. Costa
Rio de Paz
Tags: morte

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